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O sexo está para o poder como o amor está para a autonomia

Terça-feira, 29.06.10

 

A regra das equivalências também podia ser: O sexo está para o sentimento de posse assim como o amor está para a liberdade. Ou ainda, o sexo e o ódio andam de mãos dadas, o amor só dá as mãos à tristeza e ao desamparo; o sexo está sempre insatisfeito, o amor pré-existe e preenche tudo, a ausência e a perda.

Mas, claro!, falar de amor é piroso e antiquado. E certamente não serão os psicólogos e sociólogos modernaços, nem os que promoveram o sexo a tema científico, os sexólogos, a falar de amor. Na verdade, desconfio que de amor não percebem nada. Mas percebem de poder, da linguagem do poder, da sedução e manipulação, dos jogos e jogadas pouco limpas, não são eles os defensores de na guerra e no amor vale tudo?, de que amor estão aqui a falar quando equiparam amor a guerra?, não é de ódio que se fala aqui?, de poder?, de ganhar e perder?, de troféus?

 

Pois é, na ausência de amor falam muito de sexo.

Mas não se ficam por aqui. A perspectiva deles é a correcta. E querem impo-la aos restantes, às crianças. E o que lhes querem impingir é da maior pobreza de espírito que alguém poderia imaginar: vejam isto! Dá para acreditar?

Fazem bem os pais em reagir a tempo.

 

Uma criança tem uma capacidade quase infinita de observar o mundo e os outros. E uma curiosidade insaciável. Faz perguntas, algumas verdadeiramente incómodas para os pais. Que lá lhes vão respondendo como acham que será mais correcto e adaptado à idade dos filhos. São eles que melhor os conhecem, cada criança tem as suas particularidades: umas mais palradoras e expansivas, outras mais tímidas e reservadas, umas mais sociáveis, outras mais recolhidas no seu cantinho.

É nestas fases das perguntas sobre o corpo, como nascem os bébés, que os pais, se assim o entenderem, podem recorrer a apoio de amigos ou de psicólogos (evitar os modernaços) sobre a melhor forma de responder à sua criança, àquela criança em particular e à sua curiosidade.

A criança começará a visualizar uma parte da vida de forma natural, associada aos afectos, às emoções, aos sentimentos, à semelhança dos pais e dos adultos que passam lá por casa. No início esse mundo dos adultos, do quando eu for grande, é vivido de forma muito fantasiada e criativa, mas essa é a perspectiva da criança, que tem o direito de criar e construir o seu mundo e não ser confrontada com a pobreza mecanicista dos adultos, a aridez da ausência do amor dos adultos.

 

No fundo, é isto o que estes pedagogos modernaços socialistas, apoiados pelos psicólogos e sociólogos modernaços como eles, querem impor à criança: o seu modelo de vida mecanicista e artificial em que o sexo ocupa o lugar do amor, o poder ocupa o lugar da autonomia, o ódio o lugar do desamparo.

Aqui o sexo é mostrado à criança na sua crueza e artificialidade mecânica, destruindo de uma penada a riqueza da fantasia infantil. Bonito serviço! Nem precisamos de nos apoiar numa visão filosófica cristã, nem nos valores católicos, basta-nos a sensatez de psicólogos, pediatras, psicanalistas e sociólogos saudáveis. E quem são? Os que vos falam de amor sem qualquer vergonha. Os que vos falam de afectos, de emoções e sentimentos. Os que vos falam em promover a autonomia aliada à responsabilidade. Que sabem que a criança tem direito a crescer de modo saudável e equilibrado, a descobrir o mundo pelos seus olhos e inteligência, sem se ver condicionada à pobreza de espírito deformadora.

 

Já viram bem quem são os Conselheiros do Sexo? Os que são promovidos nas televisões, revistas e jornais? Parecem-vos criaturas equilibradas e felizes?, sensatas e autónomas? Não vos soam, pelo contrário, perfeitamente pueris e artificiais? Servem essas criaturas de modelos de adultos para as vossas crianças e adolescentes? Se vos faltassem mais argumentos, este vos bastaria para encarar de frente, sem se sentirem intimidados, a Obsessão Sexual que querem impingir às vossas crianças na escola pública. Este vos bastaria para a defesa intransigente das vossas crianças desta pedagogia doentia.

 

Nesta sobrevalorização do sexo há lugar para os acessórios, os gadgets, as sex shops, os truques para aumentar o desejo (!), para uma vida sexual satisfatória e gratificante (!!), muitas vezes receitas da transgressão que mais não são do que receitas da manipulação (!!!), mas não para o verdadeiro motor da vida, o amor, nem para a lógica do amor, a vida. Andam juntos.

Seguem, no fundo, uma pedagogia milenar e nem se apercebem: os gregos estão aqui, a sua decadência e pobreza na expressão e experiência dos afectos mas especialistas na manipulação mais boçal. Também os franceses estão aqui, os da escolinha das mulheres, que pretendem libertar (?) da dominação masculina (??), só para as escravizar ao prazer fortuito e vazio.

E até me admira - e aqui vai a polémica possível - que as mulheres adiram a esta pedagogia modernaça misógina socialista, que abomina a maternidade, chama-lhe reprodução, abomina tudo o que nos lembra a origem da vida. Só mulheres que esqueceram a sua maior dádiva, a possibilidade de gerar vida, de a trazer consigo, de a ver no mundo, é que podem aderir a esta pedagogia modernaça. Só mulheres sem auto-estima se podem deixar assim converter (e ajudar a perpetuar) à linguagem do poder.

 

 

 

E aqui está a Petição Contra a obrigatoriedade da Educação Sexual no Ensino Público.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:29

Coisas simples: as traições

Sexta-feira, 18.06.10

 

As traições acompanham-nos pela vida fora e é preciso aprender a viver com isso. A primeira traição, e talvez a maior, deve ser quando percebemos que o nosso olhar infantil idealizou as criaturas em redor e os nossos heróis se transformam subitamente em tiranos, grandes e pequenos, talvez sobrando um ou outro, os mais velhos e mais sábios, um olhar amável e um abraço sincero. Todos os outros nos querem domar ou domesticar.

É certo que também nós começamos a trair, não propriamente porque queiramos trair, mas porque isso passa a fazer parte da nossa lógica humana. A pior traição de todas é abandonarmos os nossos sonhos, as nossas esperanças secretas, e baixarmos as expectativas. Essa é de longe a maior traição de todas.

A maior parte das traições humanas nem são premeditadas. E muitas até nem serão traições propriamente ditas. A comunicação entre pessoas é um mundo de mal-entendidos e equívocos, logo, trata-se de tentar desfazer o mal-entendido e o equívoco, se ainda formos a tempo. É que a maior parte das vezes sofremos desnecessariamente com esses desencontros. E há desencontros que são uma verdadeira pena.

 

Se na vida é assim, imaginem agora na política... Percebem onde quero chegar? Aqui temos o mundo predilecto das traições e nem estou a falar de traições entre políticos, esse então deve ser fervilhante de traições e traiçõezinhas diárias. Não, estou a falar de políticos e eleitores.

E nem me estou aqui a colocar no papel de quem não se engana ou se sente traído quando aposta, no voto, numa determinada equipa ou política. Ultimamente até me sinto duplamente traída. Votei a contar com um cenário e sai-me outro. Não votei noutro porque receava que aquilo viesse a acontecer e fui votar precisamente no cenário em que aquilo que mais receava aconteceu... estão a ver o filme?

Agora tentem por uns segundos posicionar-se na situação de um cidadão comum que votou no actual Presidente. E não é o meu caso. Com o que podia contar? Alguém estável, consistente e coerente. Certo? Eu nem sabia que era católico, nunca me tinha apercebido até vê-lo realmente a acompanhar a peregrinação do Papa desde Lisboa ao Porto, passando por Fátima. Não fosse isso, nem saberia que era católico. Portanto, a condição de católico só sobressaiu, digamos assim, nesse período da visita do Papa, não foi? É, pois, irrelevante que seja católico ou não, a não ser pelas expectativas que reforçou no tal cidadão comum.

Semana seguinte à visita do Papa: uma declaração coerente com um veto previsível, não era? Era. Toda a declaração apontava para o veto ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas... surprise! Era só para criar suspense no pobre cidadão comum, gozar com a sua cara de miúdo traído: promulga-se a lei para que o cidadão comum não perca mais tempo com pequenos pormenores como esse de incluir no casamento mais esta modalidade, nada de importante realmente...  (1)


Claro que as "elites políticas" e as "elites culturais" concordam com este paternalismo presidencial. O cidadão comum é um ignorante destas coisas da política, deste pragmatismo, desta estratégia. E se se sentiu traído com a promulgação presidencial, paciência! Se o cidadão comum não está satisfeito com o actual Presidente, pense bem antes de movimentar as águas paradas do regime, é que do lamaçal pode surgir uma alternativa bem pior! Até há pouco tempo também pensei assim, qualquer das alternativas é realmente assustadora.

Mas o melhor seguro de vida do PS é o actual Presidente, os socialistas querem-no lá. O actual Presidente é a sua melhor opção. Já repararam como o PS continuou a governar em maioria relativa como se ainda tivesse maioria absoluta? E o Presidente continuou a cooperar como se o PS ainda fosse maioria absoluta? Forçou a aprovação do PEC ainda com Manuela Ferreira Leite, lembram-se? Acarinhou este "bloco central" para esmifrar o contribuinte à socapa, a 13 de Maio. E, mal o Papa voltou a Roma, promulgou a lei fracturante declarando não concordar com ela.

 

Talvez estes episódios só possam ser devidamente analisados mergulhando na segunda camada da realidade, mas a essa segunda camada já o cidadão comum não tem acesso. Apenas pode deduzir, baseando-se nos dados que tem à mão.

Chamem-lhe "maioria mais estúpida do mundo", "idiotas úteis", "shreks da pseudo-direita" (de longe a minha preferida), o que quiserem, o cidadão comum que não se sente representado pelo actual Presidente e que não quer nenhuma das alternativas, tem o direito legítimo de procurar o seu candidato. Alguém realmente independente da política partidária, da lógica paternalista de consensos medíocres e nefastos como esse "bloco central".

O salto que temos de dar é decisivo: é preciso alguém que respeite o país, os cidadãos, a sua história, o seu futuro possível. Que entenda a política de forma inteligente e abrangente.

 



(1) Nota a 22 de Abril de 2013: Passados quase 3 anos sobre este post, gostaria de referir aos Viajantes que por aqui passam que a minha consciência se expandiu, não sei explicar melhor, tornou-se mais abrangente, é como uma visão do grande plano, como aqueles mapas do Google que podemos distanciar ou fazer zoom do local que queremos observar.

Assim, gostaria de clarificar o seguinte (e vou procurar fazer estas correções nos posts com ideias que entretanto abandonei), não porque a minha opinião tenha qualquer peso na vossa perspectiva, mas porque não quero que a minha voz contribua para equívocos de separação entre pessoas, entre vidas, entre sonhos pessoais:

Hoje aceito, sem quaisquer reservas, qualquer modalidade de casamento que se queira introduzir na lei, excepto evidentemente aquelas que sejam contrárias ao princípio de liberdade e responsabilidade, isto é, a vontade expressa e assumida por cada um e a idade que se convencionou como a adequada para a autonomia necessária a uma tal decisão. É que embora sempre tenha considerado como natural a opção por cada forma de organizar a vida, sendo um direito de cada um escolher como quer viver, não sendo essa liberdade individual intrínseca negociável, em relação ao casamento propriamente dito a minha posição era muito fechada e rígida. Simplesmente não conseguia perceber a importância que lhe atribuíam, ao ponto de o querer adaptar e alargar a essa nova modalidade. Pensava eu na altura que isso o iria desvirtuar. Não percebia porque é que não criavam uma modalidade própria, um contrato próprio com outra designação.

Quando começamos a ver o grande plano percebemos que cada um tem o direito de atribuir importância a um sonho que sempre o acompanhou. É essa a dimensão da liberdade e do respeito por si próprio e pelos outros. Este era um dos meus equívocos que fica aqui esclarecido.

 

 


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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:55

Perguntas simples: como seria actualmente o Zé Povinho?

Sexta-feira, 11.06.10

 

Parece que o Zé Povinho de Bordalo Pinheiro vai fazer 135 anos amanhã. Hoje seria possível sintetizar o português típico, o português médio, e criar cartoons assim? Aquele gesto rebelde, desconfiado, irónico, e com sentido da realidade?

À primeira vista o Zé Povinho é percebido como pobre, irremediavelmente e tristemente pobre, mas essa é só a primeira impressão. Porque o Zé Povinho é, acima de tudo, um realista que sobrevive em condições hostis e adversas, faz o que pode com as possibilidades que tem à mão, é aliás muito criativo e ágil, é assim que o imaginamos, cheio de recursos de um raciocínio rápido e desembaraçado.

Podemos também ver um lado maroto, manhoso, capaz de rodear algumas regras básicas de convívio social? Sim, esse lado pode estar lá também. Mas vejo-o mais como um dos recursos por vezes necessários para sobreviver. Creio que o Zé Povinho entendia a "coesão", a palavra mais utilizada no discurso presidencial, porque era a única forma de sobrevivência comunitária. O povo estava sobretudo entregue a si próprio e à sua capacidade de trabalho. Haveria gestores do poder relativamente próximos, na altura o poder político estava mais diversificado pelo país, mas a sua base de sobrevivência era a sua capacidade de trabalho e a sua "coesão" comunitária.

 

Creio também que hoje o cidadão comum tem a noção da importância da "coesão nacional", mas muitas comunidades esfumaram-se numa nova organização territorial e política. O seu progressivo desenraizamento dificulta a tal "coesão nacional", a diferença económica e política entre-regiões também dificulta essa "coesão nacional", a distância de rendimentos e de direitos de uma "nova elite estatal" e o resto dos cidadãos também dificulta a tal "coesão nacional".

Pessoalmente, ao ouvir ontem o discurso presidencial senti uma enorme vontade de repetir o gesto do Zé Povinho a toda esta cultura republicana. Então, somos nós os cidadãos que ainda temos de ser os supostos destinatários do discurso da "coesão nacional"? O Presidente não assistiu quietinho e caladinho a todo o processo de rupturas nacionais (litoral-interior e norte-sul), à erosão de valores culturais estruturais, à fractura essencial na tal "solidariedade" entre "novos ricos" e "novos pobres"?

Pois é, nós só servimos de supostos destinatários de um discurso que era todo ele "recadinhos ao governo". E sabem porquê? Porque na ausência de relações institucionais, serve o cidadão comum como o único elo de ligação de um discurso dirigido aos gestores do poder. E tem sido assim em todos os discursos.

 

Esta cultura republicana não respeita o cidadão comum. Trata-o com o paternalismo de quem nem sequer o entende nem entende o país: território, cultura, história. O cidadão comum está sozinho, tal como o Zé Povinho de Bordalo Pinheiro, entregue a si próprio, só serve para pagar a factura de incompetências, caprichos e excentricidades das "novas elites" estatais. Com a agravante de ter parte do país desertificado, fechado, desactivado, e o poder concentrado em Lisboa. Com a agravante de metade da população estar desenraizada, no litoral ou noutros países.

Sim, o gesto do Zé Povinho seria o mais adequado a quem não revelou qualquer sensibilidade ou respeito pelo cidadão comum que diz representar. Só que não seria consequente. E também o Zé Povinho não se ficava por aí.

E se os deixássemos a falar sozinhos em palco e começássemos a pedalar por nós próprios? A não nos deixarmos abater pela mediocridade que nos impõem nem a entalar em impasses que nos escravizam?

Coesão é uns com os outros, os cidadãos uns com os outros, essa é a verdadeira coesão.

E nas próximas eleições, analisarmos muito bem quem esteve ao nosso lado e quem se colocou num pedestal de "novas elites" estatais que vivem à custa do contribuinte.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 14:46

A incrível aventura da nossa língua comum

Quarta-feira, 02.06.10

Este post sobre o blogue Desde a Margem, que vem da Galiza, podia inserir-se na série "Do Tempo das Descobertas". Só que penso voltar a este espaço sonhado, às origens poéticas de uma língua comum, a que Fernando Pessoa chamou a sua pátria, a única pátria que reconhecia, a única pátria onde se respira livremente.

Nessa pátria de uma língua comum não há fronteiras territoriais, nem definições próprias da linguagem do poder. Esses são os limites das nacionalidades. Sendo livre, não tem de se sujeitar às regras redutoras de ministérios da Educação e da Cultura, nem de ficar à mercê da sua utilização oportunística pelo poder político. Esta pátria é dos seus falantes. Não sendo territorial, é um espaço sonhado. Da sua origem poética na Galiza, desceu como um rio integrando outros termos e outras vivências, depois sulcou mares, continuando a integrar outros termos e outras vivências. Abriu as vogais e tornou-se mais musical. Guardou relíquias no baú. Reencontrou-se em poetas. Quis encontrar um tronco comum. Temeu-se pela diversidade e especificidade. Ainda se teme.

Mas a aventura já se iniciou, é disso que este blogue nos fala. O seu autor, Celso Alvarez Cáccamo, é professor universitário e um estudioso da nossa língua comum. Diria mais: é um dos seus melhores guardiões. Quando lemos os seus textos percebemos a verdadeira dimensão desta aventura. A incrível aventura da nossa língua comum.

A crise da língua e um futuro possível revela-nos as dificuldades sentidas na Galiza na afirmação do galego como língua dominante e a importância de um acordo ortográfico que nos une numa língua comum.

Contrastes de línguas e nações refere a experiência catalã, bem sucedida, mas coloca a questão da Galiza numa perspectiva diferente, porque a sua realidade é diferente. É que, considerando todos os falantes desta língua comum, o nosso espaço sonhado, a Galiza não representa uma minoria de falantes, como os catalães, encravados entre os Pirinéus e o mar,  representa milhões de falantes em todo o globo. Essa é a dimensão desta aventura comum. Aventura que se iniciou nesse lugar poético.

Curiosidade: Celso Alvarez Cáccamo é o editor da Çopyright, uma revista electrónica de pensamento, crítica e criação. Outra aventura internáutica que deu voz a várias vozes: foi este professor dinâmico e dedicado que um dia descobriu uns textos que eu tinha a navegar e os acolheu na Çopyright. Conseguem imaginar a minha surpresa e a minha alegria? Estávamos em 97. 13 anos já, o tempo passa...

Sim, também lhes dediquei um poema:

À Çopyright:
Editor, Celso Alvarez Cáccamo
e a todos os Colaboradores
que fazem esse País Sonhado...


Andamos à procura de um Porto Sonhado
e ficamos sempre a olhar para trás
Esse Porto Sonhado
que sabemos não existir
começa a parecer-se com o Porto das Coisas Perdidas
Não haver terras com nomes como Sonolongo
nem um Porto das Coisas Perdidas
Não haver um rio muito azul que em vez de caminhar
para poente resolvesse descer para sul,
sempre para sul
Chegar a um porto por terra e não por água
Tudo ao contrário e tudo tão certo
Este Porto Sonhado
é muito mais real que o outro
o que vejo através dos olhos dos outros

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 19:40








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